ISABEL MADALENO

POEMA DEDICADO À ILHA REUNION
(Ilha no Oceano Índico, onde passei 15 dias de férias neste verão de 2019)
Cantam os pássaros
na brisa da tarde
as plantas tropicais
sobem ao céu
parecendo dizer adeus à Terra
suas raízes exóticas
soltam-se do chão
e abraçam sua mãe árvore
num abraço eterno
as crianças trepam
raiz a raiz
ramo a ramo
ninho a ninho
colhem o fruto sagrado
benção da natureza
saciados….brincam
desafiam a natureza
e cantam com os pássaros
a liberdade
olham à volta…
tudo floresce
tudo brilha, tudo canta
tudo é vida, tudo é puro
tudo e verdade
nada é nosso
nada.
Felizes os meninos descem à terra
os homens passam
levam no rosto gratidão
e nas mãos a dávida da natureza
serão capazes de regressar a casa
sem nada perturbar?
Tudo é de todos
nada é nosso
que cantem os pássaros
que cresçam as árvores
que se alimentem os peixes
que viva o homem
serenamente
na nossa casa grande
para sempre.

 

JOSÉ de FIGUEIREDO COSTA

( Poema de tertúlia do nosso tempo )

Questiúncula

Um BES com água tónica
ou um BPN sem gelo?
Tarte de Face Oculta
ou um Freeport sem Free?
EDP com talher ou pauzinhos?
Corrupção é salgada ou salgado?
Será Sócrates um grande filósofo
Ou PS abreviatura de Post Scriptum?
Pinho é madeira que empena
mesmo podre continua pinho
com pinhas de milhões em pilha
e pinhões de muitos pinhos.
Eufémia também foi Catarina.
Costa também foi Santos.
Jerónimo foi um famoso índio.
Apolónia é apenas uma estação.
Os galos também têm crista.
O ferro enferruja a língua de aço.
Centeno faz cem de sem.
Manta de Passos, rota é.
Uma porta é feminina, Portas não.
Mortágua é pertinho de Santa Comba
onde o rio ainda corre nas margens.
Marques mentes? Não! sei tudo.
Tancos é tiro de fuga em fisga fisgada.
Caixa é pandora que esconde os fantasmas
alinhados e muito bem alinhavados.
Salgados são doces de natas com notas
onde tudo se comporta como a compota
que tempera o pão de muitas bocas e cachaços
na gamela pública dos citrinos ácidos.

 

MANUEL COELHO NUNES

88 anos
Bairro da Petrogal – Bobadela 

O RELÓGIO MARCA O TEMPO

O relógio marca o tempo
Marca o meu tempo a chegar
Marcará também o tempo
Quando esse tempo acabar
O relógio marca o tempo
De uma vida por nascer
Marcará aquele momento
De um ser ao novo ser
O relógio marca o tempo
Do sofrimento de alguém
Marcará também o tempo
Do sorriso de uma mãe
O relógio marca o tempo
De um carinho ou desdém
Marcará todo o afecto
E a simpatia de alguém
O relógio no tempo parou
Deixou de o tempo marcar
Tempo do tempo acabou
Deixando a vida acabar.

 

CICLO DA VIDA

Semente é vida lançada
Como um amor divinal
É semente germinada
Traduzida no Natal
Sendo os filhos o que são
A seus pais devem a vida
Os avós são o que são
De mocidade vivida
Ser idoso é ser herói
Catedrático de uma vida
Fica a lembrança que dói
Na mocidade perdida
Anos de luta vencida
Quantas vezes servidão
É uma vida vivida
Com muita abnegação
Mas pelo que a vida é
Nas veias a seiva corre
As árvores morrem de pé
Mas a esperança não morre.