História

2.1 – Breve contextualização histórica e social
2.2 – Goa: características e origens do Goa trance
2.3 – Decaimento da cena original e aparecimento de DJ’s
2.4 – Globalização das festas Goa e aparecimento das drogas sintéticas
2.5 – Europa e Israel: dois rumos diferentes
2.5.1 – “Nitzhonot”: a origem do “Full On”
2.5.2 – O Trance Progressivo e a influência do “Techno”
2.6 – A hegemonia do “Full On” e o aparecimento do “Dark Trance”


2.1 – Breve contextualização histórica e social


Tal como todos os estilos musicais, as origens do trance psicadélico remontam a um período de evolução a nível social, mas neste caso, também político. Nos final da década de 60 começam a surgir por todo o mundo novos ideais de esquerda e outros movimentos sociais contra a repressão das mulheres, negros e homossexuais. Ao mesmo tempo, os movimentos pelo fim da Guerra do Vietname e Guerra Fria ganham mais força, no contexto de uma depressão gerada pela incapacidade do “sonho americano”. É neste período conturbado que aparece também uma nova ligação da cultura ocidental  ao “Oriente”, com os textos pacifistas da religião budista e o xamanismo da religião hindu, que, aliada à emergente explosão de drogas psicadélicas e aos factores sociais e políticos já mencionados, cria condições ao aparecimento do movimento hippie, com principal destaque  nos EUA, mais concretamente em São Francisco.
Similarmente ao que se passava a nível politico, também a nível musical a contracultura hippie se manifestou, através de bandas de rock psicadélico, com letras inspiradas em experiências psicadélicas e em livros como “As portas da percepção” de Aldous Huxley ou “O profeta” de Kahil Gibran. Essas mesmas bandas foram também protagonistas de visitas à Índia, demonstrando no seu trabalho a inspiração de cariz “oriental” que adoptaram. São exemplos disso bandas como The Beatles, The Who, Grateful Dead, Pink Floyd, The Doors.
Era de esperar, então, que com a demanda por “cultura oriental” acabasse por existir um êxodo de muitos elementos do movimento hippie para a Ásia, criando uma rota denominada de “hippie trail” que se movia entre o continente americano ou europeu, passando por vários locais, muitos dos quais conhecidos pelo consumo e produção de cânhamo. Entre eles encontram-se regiões/países como as Ilhas Baleares, Marrocos, Iraque, Irão, Afeganistão, Nepal e Índia, ou mesmo, Tailândia e Vietname.

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2.2 – Goa: características e origens do Goa trance


Nesse contexto, Goa, um estado da costa indiana que se encontrou sobre o jugo português durante séculos, surge como uma possibilidade transmitida oralmente entre os elementos dessa rota, um local paradisíaco, sem qualquer tipo de turismo, onde a produção de cannabis e o seu consumo era permitido pela legislação indiana. A governação portuguesa tinha acabado por volta de 1960, tornando Goa num estado pobre e sem grandes recursos, mas onde os habitantes prezavam por uma bondade e tolerância imensa.
Com essas características próprias, foi normal que quem andasse nos países pertencentes à “hippie trail” se dirigisse para Goa, passando temporadas ou começando mesmo a habitar nas praias de Anjuna, Vagator e Calancute. Uma dessas pessoas era Gilbert Levey (conhecido posteriormente como Goa Gil), elemento do movimento hippie de S. Francisco que, no final dos anos 60 (1969), começou a sua viagem rumo ao “Oriente”. Este viria a ser uma das maiores figuras de relevo no movimento musical de Goa.
Naquela altura, já existia uma pequena comunidade que convivia sobre o tecto de Yertward Mazamanian (“Eight Finger Eddie”), um hippie que residia Goa desde 1964, primeiramente em Colva e depois em Anjuna, o qual abrigava os hippies provenientes da “hippie trail” e lhes dava alimento com a sua loja de sopas.
Foi nessa mesma praia, de Anjuna, que as primeiras festas se realizaram. Eram semelhantes às festas que se haviam realizado em S. Francisco pela comunidade hippie: uma fogueira, instrumentos acústicos como guitarras e djembés e outras percussões e pessoas sobre o efeito de drogas alucinógeneas. Também na escolha musical, os grupos interpretados nessas festas tinham sido importados do movimento hippie, estando à cabeça músicos/bandas como Jimi Hendrix, Janis Joplin, The Who, The Grateful Dead, The Beatles, The Doors, entre outros. Pode-se por isso dizer que, ao decaimento do movimento hippie nos EUA, a resposta foi um êxodo para “Oriente”, mantendo as mesmas convicções e cultura, sendo um dos centros o estado de Goa.
No início dos anos 70, a pequena comunidade hippie residente em Goa, expandiu-se abrangendo cada vez mais pessoas que tinham escolhido a Índia como o seu destino, dado que é explicitado por Teresa Albuquerque, historiadora indiana: “O turismo indiano duplicou entre 1967 e 1971 (embora não exista quase nenhum crescimento no turismo internacional) pela emergente fama do espectáculo hippie”. Com este crescimento,  não tardou muito até que a comunidade tivesse uma economia própria, com um mercado que servia como modo de auto-subsistência. Isto levou a que, para além dos produtos manufacturados, o mercado de Goa atraísse traficantes de droga, que ao longo do tempo conseguiram importar para Goa, todo o tipo de drogas, principalmente heroína e ópio, o que teve um reflexo imenso na população da comunidade (no final dos anos 70, quase toda a população tinha morrido de overdose ou deixado Goa). No entanto, a pouco e pouco, também existiam cada vez mais músicos a juntar-se à cena musical de Goa, juntando guitarras eléctricas e bateria às festas que se organizavam durante a lua cheia, as festas “Full Moon”.  Até que por volta de 1974, Goa Gil conseguiu adquirir todo o material (instrumentos musicais, mesa de mistura e sistema de som) e juntá-lo numa casa arrendada, denominada “Music House”. Nessa casa , Gil vivia com a sua banda e, juntamente com eles, transformou aquele espaço num género de bar, onde costumavam actuar. Com a construção de um palco na praia e o aproveitamento de varandas, existia cada vez mais espaço para as bandas que se iam criando, existindo um dia para cada banda ensaiar.

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2.3 – Decaimento da cena original e aparecimento de DJ’s


Com o crescimento da cena em Goa no final da década de 70/início da década de 80, os toxicodependentes começaram a envolver-se demasiadamente nas festas, chegando a assaltar a “Music House”, o que provocou que Gil emigrasse durante algum tempo. No entanto, e embora Gilbert estivesse fora, a sua “Music House” continuou as festas, embora não fossem de ser organizadas por ele.
Após passar pelos Estados Unidos e Caraíbas, além de outros locais , Gil apercebeu-se que não encontrara o mesmo sentimento noutros locais do mundo, voltando a Goa por volta de 83, para a festa de Natal. Com ele trazia as novas influências de editoras que visitara, como a Rough Trade Records (Inglaterra), ZYX Records (Alemanha), que introduziram ao mundo novas tedências musicais como a “Future Beat”, “Industrial”, “New Wave”, “Electrobeat”, entre outros.
Assim sendo, por essa altura e embora já existissem algumas músicas de Kraftwerk no ambiente musical das festas “Full Moon”, a “nova” sonoridade electrónica tornou-se a sonoridade preponderante, com a contribuição fundamental de Goa Gil e de dois DJ’s franceses, Laurent e Fred Disko. Tal inovação não foi bem aceite por todos, sendo que alguns dos elementos mais antigos da “hippie trail” deixaram de participar nas festas.  No entanto, o destino estava traçado e a “special music” (como foi chamada) era a principal característica das festas “Full Moon”. Esta música “especial” ou “Goa mixes” consistia em faixas gravadas em cassetes DAT, as quais incorporavam partes de músicas de “Electrobeat” europeias, especialmente “b-sides” ou “dub mixes” de singles de bandas como Kraftwerk, Cabaret Voltaire, New Order, Nitzer Ebb, Frontline Assembly, The Residents, Blanc Mange, Dead or Alive entre outros. As faixas eram cortadas para evitar as partes musicalmente menos atraentes ou dançáveis, como vocais e introduções. Estas cassetes eram posteriormente misturadas ao vivo, durante as festas.
Com a introdução da música electrónica, iniciou-se a estrutura mais comum de festa trance: as músicas mais calmas eram preponderantes durante a tarde e início de noite, ficando os sons mais agressivos (como misturas de “Industrial”), voltando às misturas musicais mais calmas de manhã; esta estrutura provém de uma analogia de uma jornada espiritual, com o DJ como xamã a conduzir essa experiência. Toda essa sensação de viagem é a principal característica das “Goa Mixes”, ao invés da qualidade das misturas ou mesmo da definição sonora. Tal é descrita por Goa Gil: “Primeiro é necessário trazer as pessoas para algo que possam gostar, algo com que se relacionem.”; depois “lentamente torná-lo mais intenso durante a noite, mantendo-o  dançável. E então, no fim da noite, torná-lo quase apocalíptico, com amostras sonoras fortes e intensas, mas sempre dançáveis. Quando a primeira luz da aurora surge, então algo com mais sentimento espiritual. Este conceito já existe desde o início. Fazer história com a música contando a história da humanidade”.
Este espírito durou até ao início dos anos 90, altura em que a política e a polícia começam a intervir nas festas.

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2.4 – Globalização das festas Goa e aparecimento das drogas sintéticas


No início da década de 90, a polícia começou a intervir nas festas, sendo estas sistematicamente encerradas, algo que durante algum tempo tinha sido evitado com subornos dos “trancers” à policia local. Ao mesmo tempo, assistiu-se a uma globalização das festas, principalmente devido a DJ’s como Fred Disko, Ray Castle e Steve Psyko, organizando festas em Israel e Japão.
O crescimento de interesse nas festas de Goa e o “boom” de drogas sintéticas como o MDMA  provocou o aparecimento de muitos “Goa freaks”, os quais não respeitavam o ambiente nem os habitantes locais, algo que perturbou e alterou a cena inicial com o sentimento “hippie” ainda existente. Estes factos são espelhados pelo crescimento numerário de pessoas nas festas. Até 1991, as festas eram frequentadas por cerca de 200 pessoas, e em 1992 o número de pessoas já excedia os 1500.
Goa tornava-se, assim, num local turístico e de grande afluência de drogas, uma Ibiza asiática, levando a uma alteração na legislação em relação à protecção do ambiente e do limite de amplitude sonoro; posteriormente toda essa pressão politica e de grupos ambientais levou à proibição de festas nos locais em que usualmente se realizavam e de música em espaços abertos, de amplitude superior a 45 dB.
Ao mesmo tempo que existia a quebra em Goa, o Goa Trance (como se passou a designar no fim da década de 80), espalhou-se por outros locais no mundo. Desta vez, os “acidfreaks” europeus começavam a importar das festas de Goa as suas sonoridades e adapta-las à já existente música electrónica, de forma a, além de adquirir um novo público europeu, poder testar os seus sons nas festas de Goa. Este é o exemplo de um dos grandes nomes do Goa Trance, Ronald Rothfield (Raja Ram), algo que relembra numa entrevista: “Naquela altura podia-se ir a qualquer loja que não se comprava música assim. Não existia. Então no ano a seguir [1989] voltei para Goa, tal como nos 8 anos seguintes. Mas no ano a seguir, quando voltei, comecei a conhecer imensos músicos em Goa e as coisas começaram a ficar mais sérias, porque começámos a ligar-nos à cena e aos estúdios e quando voltei dessa temporada, iniciou-se a composição de música a tempo completo.”
É deste modo que se inicia o Goa Trance num dos países com maior tradição musical na Europa: o Reino Unido. É também assim que aparece o primeiro projecto e, posteriormente, primeira editora dedicada à produção de Goa Trance: “The Infinity Project” (projecto constituído por Graham Wood e Ronald Rothfield), mais tarde “T.I.P. Records”.  
Na mesma altura, Martin Glover (baixista de Killing Joke e futuro participante do Projecto The Orb) funda a “Dragonfly Records” e aparece o projecto musical Juno Reactor, juntando Ben Watkins a outros músicos (como Johann Bley) e produtores da altura.
Embora obviamente exista muita discussão em relação à primeira música puramente Goa Trance, atribui-se a The KLF (Bill Drummond e Jimmy Cauty) e ao tema “What time is love” de 1989, sendo inclusive lançada uma versão denominada de “What time is love (Pure Trance). Além dos já mencionados, o projecto Eat Static de Joie Hinton e Merv Pepler (integrantes da banda Ozric Tentacles) é também importante neste contexto.
Até 1993, são de salientar os “singles” “Jungle High” de Juno Reactor (1992), “I Love my baby” de The Infinity Project (1989), o “EP” “Almost Human” de Eat Static (1992) como demonstrações do novo estilo musical que se começava a impor nos tabelas de Inglaterra.
1993 é um ano especialmente marcante na história do Goa Trance, com o lançamento da primeira compilação da Dragonfly Records, “Project II Trance”, a qual contava com nomes importantes como Simon Postford (Hallucinogen), Stephen Holweck (Total Eclipse), Martin Freeland (Man with no name), além do já mencionado The Infinity Project.
Nesse mesmo ano aparecem as primeira organizadoras de festas “Goa” no Reino Unido: a Return to the Source de Chris Deccker e a Pagan Parties do DJ Mark Allen, já conhecido pelas suas produções de “Acid House”. Estas festas eram realizadas principalmente em Londres,  algumas ao ar livre e outras em clubes como “Rocket” no Norte de Londres, “Fridge” em Brixton, “Woody’s and The Sanctuary” no Oeste de Londres.
No ano seguinte, o nome “Goa Trance” estabelece-se ainda mais com álbuns como “Transmissions”, produzido pelo colectivo Juno Reactor e editado pela NovaMute Records, e diversas edições das recém criadas editoras Matsuri Projects de John Perloff e Tsuyoshi Suzuki (Reino Unido e Japão), Flying Rhino, colaboração entre a Zoom Records e três DJs e produtores: James Monro, Dominic Lamb e George Barker. Por fim mas não menos importante, a editora Blue Room Released de Simon Ghahary, que em lança em 1995 a sua primeira compilação, “Outside the Reactor”, contando nas suas “fileiras” com produtores como Total Eclipse (projecto do francês Serge Souque), Spectral e Voodoo People. (Paul Jackson) Em 95 é também lançado pela Dragonfly Records o primeiro álbum de Hallucinogen (Simon Postford), denominado “Twisted” que se iria tornar num dos maiores marcos do Goa Trance/Trance Psicadélico.
A explosão de artistas, editoras e organizadoras de eventos no Reino Unido leva à restrição das festas ao ar livre e das horas de fecho dos bares e discotecas, algo que encaminhou o movimento para outros países europeus com legislação mais liberal, como era o caso da Alemanha e França. Estes países já haviam realizado, em anos anteriores, festivais de Goa Trance como o “Voov Experience” em Hamburgo (1992) e o “Gaïa Festival” em  França (1992).  Além dos festivais, as editoras começaram também a estabelecer-se nesses países, tendo como exemplo  o que acontecia em Inglaterra. É de salientar a editora Spirit Zone (Alemanha), criada em 1994 e com algum trabalho editado.
Além da Europa, também Israel absorvia as tendências musicais vindas de Goa, principalmente a partir do final da década de 80, altura em que a Índia abriu as fronteiras e os israelitas “invadiram” as praias de Anjuna, à procura de descanso dos conflitos com a Palestina, encontrando todo aquele ambiente festivo. Isso fez com que no início dos anos 90 aparecessem os primeiros projectos de inspiração goana, caso de Har-El Prussky, Astral Projection (Avi Nissim, Lior Perlmutter e Yaniv Haviv), na altura conhecido como SFX, Analog Pussy (Erez Jino e Kim Michael Lilach)e Indoor (Ofer Dikovski, Avi Algarnati e Marko Goren).
Estes artistas actuavam com regularidade na discoteca “The Penguin” e em festas ao ar livre por toda a Israel, mais usualmente nas praias de Nizanim (“Full Moon Gatherings”). No entanto, e como se sucedeu no Reino Unido, a polícia interveio devido ao grande afluxo de tráfico de estupefacientes nessas festas, algo que limitou o número de eventos que aconteciam.

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2.5 – Europa e Israel: dois rumos diferentes


Por volta de 1996, o estilo Goa passou o seu pico. As melodias rebuscadas  e estruturas complexas de origem indiana deram lugar a um estilo mais dançável, simples e rápido, com a inclusão de amostras áudio de vozes e efeitos nas músicas. Com essa mudança, deixou de ter sentido o nome Goa, o qual foi substituído por “Psicadélico”. É na compilação “Let it RIP” (1997) da editora Matsuri que, por fim, o som psicadélico ganhou preponderância, com um “funeral” simbólico à sonoridade anterior. A nova tendência que se seguia, pode ser ilustrada pelo álbum “Rádio” de X-Dream (1998).
A pouco e pouco, a miscigenação e evolução do estilo “Trance Psicadélico” criou dois rumos distintos, tendo como foco a sonoridade mais simples e rápida de Israel (o estilo Nitzhonot) e a música mais repetitiva, com grande influências do “Techno” europeu (o “Trance Progressivo”).

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2.5.1 – “Nitzhonot”: a origem do “Full On”


Com origem na compilação “Over the Sunrise” (1997) de Holymen (Avi Schwartz) da editora Holly Schwartz, a base do que iria tornar-se o “Full On” estava estabelecida. Embora a sua génese esteja directamente ligada a Israel , com artistas como Xerox (Moshe Kenan), Freeman (Doron Kosovski), Sandman (Izik Levy), Eyal Barkan, Iceman (Kobi Kastoriano), depressa se espalhou por outros países como a Grécia, com o projecto Cyan (Mike Dee e Nikos Chrisoulakis). A maior editora deste estilo foi a Typhoon Records, a qual cessou a sua actividade em 2000. Mesmo assim, editou além das compilações “Janana” (1, 2 e 3), mais de 40 álbuns nesse espaço de tempo.


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2.5.2 – O Trance Progressivo e a influência do “Techno”


Por oposição ao estilo israelita que incorporava ainda melodias com multi-camadas e escalas exóticas de cariz oriental, o Trance Progressivo baseava-se na repetição e numa harmonia simples, desprovida dos ornamentos originários do Goa Trance. A sua proveniência tem ligação ao desenvolvimento do “Techno” (que evoluiu para o estilo “Techno Minimal”) na Europa, incorporando algumas sonoridades do Trance do Reino Unido.  Consequentemente, os maiores pioneiros deste estilo são de países com grande  tradição no “Techno”, como é caso da Alemanha e dos países nórdicos. S-Range (Anthony Sillfors), Son Kite (Sebastian Mullaert e Marcus Henriksson) (, Atmos (Tomasz Balicki), Vibrasphere (Rickard Berglöf e Robert Elster), Haldolium (Mario Reinsch e Mark Lorenzen) entre outros.
O Trance Progressivo continua a sua evolução paralelamente ao Trance Psicadélico, e é, ainda hoje, um sub-estilo muito procurado e comum no movimento Trance, sendo parte integrante de muitas festas e festivais, estando normalmente acoplado aos estilos que se desenvolveram do “Techno” como o “Minimal” ou o “Tech House”.

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2.6 – A hegemonia do “Full On” e o aparecimento do “Dark Trance”


No final da década de 90, o decadente “Nitzhonot” dá lugar ao “Full On”, nome que deriva da primeira compilação da editora israelita Hommega. Obviamente, este tipo de sonoridade aparece em Israel e depois abrange todos os outros locais onde se produzia/compunha músicas de trance psicadélico. Projectos como Infected Mushroom (Erez Aizen e Amit Duvdevani), Astrix (Avi Shmailov), Space Cat, (Avi Algarnati) Yahel (Yahel Sherman), Psysex (Udi Sternberg e Yoni Oshrat), Analog Pussy (Kim Michael Lilach e Erez Jino), Alien Project (Ari Linker), Cosma (Avihen Livne), Perplex (Ronen Dahan e Alon Bloch), Skazi (Asher Swissa), Space Buddha (Eliad Grundland) e Illumination (Amir Dvir), de origem israelita, deram o mote a outros projectos que iam aparecendo na mesma altura (1999/2000). São exemplos:
Absolum (Christophe Drouillet), Bamboo Forest (Yann Hénaff e Stéphane Dureisseix), Deedrah (Frederic Holyszewski), Hyper Frequencies (Gilles Beraud), Neuromotor (Frederic Talaa e Guillaume Dorson), Nomad (Farid Merbouche) e Talamasca (Cedric Dassulle) de França;
Space Tribe (Olli Wisdom), Dark Nebula (Luna Orbit) e Fractal Glider (Paul McCosh) da Austrália;
1200 Mics (Shajahan Matkin, Josef Quinteros e Ron Rothfield), Deviant Species (Santos De Castro), Dino Psaras e Joti Sidhu de Inglaterra;
Rastaliens (Ralph Knobloch e Jurgen Kassel), Lemurians (Andreas Kuchembauer e Janosh Riemann), S.U.N. Project (Mike McCoy, Matthias Rumoeller e Marco Menichelli) e SBK (Sebastian Krüger) da Alemanha;
Parasense (Alexey Kurkin e Viktor Zolotarenko) da Rússia;
D-Tek (David Durs) do México;
Growling Mad Scientists “GMS” (Josef Quinteros e Shajahan Matkin) da Holanda;
Suria (Frederic Gandara) de Portugal;
Wizzy Noise (Mickey Noise e Dimitri Uriel) da Grécia;
Na mesma altura, (embora existam alguns “LPs” anteriores a esta data com sonoridade semelhante) e principalmente por Xenomorph (Mark Petrick), aparece uma nova vertente inspirada no “Full On”, mas com grande influências do “Industrial” e “Hardcore”. Esta vertente iria dar origem ao “Dark Trance”. Este tipo de sonoridade acaba por ter uma grande aceitação nos países da Europa de Leste, como a Rússia, Macedónia, Sérvia e também em alguns países nórdicos como Dinamarca, Suécia e Finlândia.
É já no ano de 2002 e 2003 que o “Full On” garante a sua hegemonia nas festas trance, existindo vários países com sonoridades diferentes. Em Israel, o som caminhava para uma redefinição do “Nitzhonot”, tornando o Full On israelita um dois mais melódicos e com uma sonoridade muito típica. Na Europa, muitos dos produtores franceses e suíços adoptaram esse estilo israelita. Esse tipo de som viria a ser chamado de “Morning”, visto que durante as festas, era normalmente colocado de manhã, devido ao seu cariz mais alegre. Além do “Morning” também o “Hi-Tech”, sub-vertente de alguns israelitas, europeu, australianos e japoneses, partilha essa sonoridade mais leve, sendo, ainda hoje, utilizada em festas como transição do som mais nocturno para o mais matinal.
Enquanto que na Europa se “respirava” uma comunhão de sonoridades em relação à israelita, noutros países como África do Sul, Grécia e países da Europa do Leste, desenvolve-se uma nova sub-vertente do “Full On”. Esta tinha como principal característica uma sonoridade mais sombria, um meio termo entre o “Dark Trance” russo/nórdico/germânico e o “Full On” israelita. Esta sonoridade típica passa a ser denominada como  “Night Full On” ou “Full On Nocturno”.
A partir de 2003 assiste-se à maior “explosão” de sempre no número de artistas e editoras de Trance Psicadélico, sendo quase impossível enumerar os álbuns e artistas mais importantes dentro de cada género.
De 2003 até 2009 (data da última actualização do sítio http://www.psydb.net/) foram registados perto de dez mil artistas com músicas editadas em alguma das cerca de mil editoras.
Esse enorme aumento de artistas e editoras levou a uma maior miscigenação dos estilos, criando cada vez mais sub-estilos dentro de cada estilo. Porém, e para maior facilidade de compreensão, a parte estética apenas vai analisar os estilos e contextualizar os artistas e editoras dentro das suas sub-vertentes, pois as diferenças de base entre elas é diminuta.


Traduzido por mim, a partir do artigo “Goa is a State of  Mind” de Luther Elliot.

Adaptado e traduzido por mim, a partir da entrevista de Goa Gil à Cyberset.

A palavra tem o significado de “dança vitoriosa, a qual evidencia um som alegre.

Dados retirados do sítio http://www.psydb.net/, sítio que corresponde à base de dados mais completa, relativamente à produção de trance psicadélico.