Se atendermos aos contornos sociais desta pandemia, com reflexos directos na nossa atitude ética perante o  valor de uma vida, imediatamente somos confrontados com a realidade à nossa frente. De uma maneira geral temos tratado os nossos idosos de uma forma egoísta e em muitos casos sem humanidade, sejam eles os nossos avós, os nossos pais ou os nossos familiares.

O que lhes fazemos é entregá-los em depósitos de alívio, para alívio e tranquilidade das nossas consciências, para logo a seguir dizermos – agora o problema é deles, leia-se, dos Lares.

Salvo muitas e louváveis excepções, os “velhos” são amontoados como embrulhos, envoltos em cobertores e pantufas de feira, e atirados para uns metros quadrados de quietude em espera mórbida de manhã à noite.

As razões que se evocam são muitas e quase sempre as mesmas – falta de meios, falta de tempo para os tratar, falta disto e falta daquilo. Pois é, nada pior para quem produz, que ter ao lado um que ( já ) nada faz. Infelizmente é esta a realidade “pensada e calada” da mais ignóbil proximidade.

Dizem-nos agora que o maior drama do COVID-19 se centra nos Lares. Estou em querer que muitos políticos só agora conheceram e entenderam esta realidade. Porquê os Lares ?

Cabe perguntar-lhes, agora, onde estão os serviços do Estado de Cuidados Continuados, os Hospitais de Rectaguarda e os reais apoios à ” idade sénior ” ?

Cabe perguntar-lhes, agora, porque existem Lares ilegais sem as mínimas condições de higiene, saúde pública e mental ?

Cabe perguntar-lhes, agora, qual o seu papel de fiscalizadores e a sua responsabilidade perante o país ?

Não são tempos de acerto de contas, muito menos de criar controvérsia. Nada disso e muito longe disso. São momentos como este que nos vão obrigar a reflectir, não apenas sobre o nosso papel na sociedade, como acima de tudo o papel ( dever ) da sociedade perante o cidadão que a constitui, em particular daqueles que já saíram da chamada linha de produção.

Felizmente os Lares referenciados e protocolados pela ARGE são exemplos de dignidade e humanidade para todos os seus utentes. Neste particular temos a maior preocupação na sua selecção e damos a maior atenção a todos os pormenores desses equipamentos. O bem estar, em felicidade, é o que sempre procuramos para os nossos Associados.

Numa coisa podemos confiar – a Natureza não dorme.